Dörte Steingäber gradissimo
Gosto de pessoas.
Interessa-me a sua representação ao mundo.
A relação ao adorno tem duas faces: a representação da pessoa ao mundo e a sua incansável procura de manipular esta imagem através da materialização desta representação.
Mais do que um enfeito, o adorno significa uma necessidade e uma prática do ser humano, uma forma de se dar a conhecer e expressar mais antiga que a própria linguagem.
Alienar a jóia parece-me desrespeito, banalizar a sua manifestação quase uma profanação do nosso mais profundo ser, abandonar as suas artes e ofícios um empobrecimento do nosso estar e sentir. Assim, proponho uma jóia mediadora entre este quotidiano, o observador, o portador e a própria peça.
O fascínio do objet trouvé.
O encontrar no caminho de algo que prende o olhar, a curiosidade, a vontade de o tornar parte de mim – o fio de sisal no pescoço, o dente de leão como exibição de coragem, a concha como indicação de longura do mar.
É a descoberta do simbólico, da representação de algo maior e mais complexo através de um objeto: universal, criador de estatuto, encenação de poder.
Com função unificadora, de pertença, de laços e comunhão.
Ou então diferenciador, de destaque do indivíduo, da atribuição de privilégios.
Nunca mais o mundo responderia de forma igual a quem traz um dente de morganho ou um chifre de unicórnio.
Tento fazer ambos, mas os chifres de unicórnios são difíceis de encontrar…